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15.9.11

MARAGOGIPE - A CIDADE QUE FICOU NO PASSADO

Quando os portugueses chegaram à Bahia, encantaram-se com a quantidade de locais onde podiam aportar suas caravelas, no litoral de uma enorme baia, que bem mais tarde veio a chamar-se "Baia de Todos os Santos".
Dezenas de pequenas ilhas, rios desembocando no mar e uma vegetação luxuriante. Em uma região às margens do Rio Paraguassú, habitava uma tribo de indios chamada de "Marag-gyp" o que significa rio dos mosquitos, por ser ladeada por enorme manguesal de mais de 30 quilômetros.
Mais tarde a cidade de Maragogipe foi fundada e tornou-se município em 1693, hoje cidade desde 1850.
É dessa cidadezinha de cerca de 45 mil habitantes, a maioria descendente de escravos, que iremos visitar através das fotos que tirei após a Regata Aratú-Maragogipe, um dos grandes eventos da cidade.

A arquitetura secular de casas humildes.

Calçamento secular de pedras trazidas por grandes barcos e os sobrados dos senhores
portugueses, fazem a identificação da pequena cidade.


O gôsto por cores fortes é visível por toda parte. Algumas casas recentemente reformadas e pintadas, fazem contraste com outras quase em ruínas.

A velha cidadezinha reluta em modernizar-se e isso cria um beleza plástica, certamente não apreciada pelos moradores dessas antigas casas.




Em 1920, a fábrica de charutos Suerdick era uma das
emprêsas que sustentava muitos emprêgos na cidade.





A única modernidade são os poucos carros que trafegam pelas ruas estreitas. Se fecharmos os olhos para os monstregos de 4 rodas, poderemos imaginar cavalos, charretes e carruagens trafegando pelas vielas.




São Bartolomeu, o padroeiro da cidade e responsável pela maior festa popular em Maragogipe. A estátua de gosto duvidoso, fica em meio a uma praça onde abriga vendedores de artesanatos, vindos de outras cidades do recôncavo.

Aos pés de S. Bartolomeu, um descanso baiano que ninguem
é de ferro...



GENTE DO LOCAL

Atoa na vida, olhando a banda passar



Os mascarados, conhecidos como "caretas" fazem a festa mesmo fora do carnaval.






As meninas, os sorrisos e o cãozinho...



<>
Fala aí pessoal. Sou ou não charmoso?




oooooooooooooooo//oooooooooooooooooooo


Porta da Igreja de São Bartolomeu

E assim nos despedimos de Maragogipe, a pequenina cidade do recôncavo baiano em que o tempo parou no passado.

fotos e texto por mecenas salles
para ver as fotos em tamanho grande é só clicar nas mesmas
comentários são bemvindos

obrigado pela visita.





22.8.11

REGATA ARATÚ - MARAGOGIPE (Bahia)

A regata Aratú - Maragogipe é uma das mais importantes no calendário náutico do Brasil. São centenas de concorrentes em várias classes, criando um visual maravilhoso.

Tudo que tem vela e desliza no mar pode concorrer. A festa começa em Aratú e termina em Maragojipe, uma cidadezinha as margens do Rio Paraguassú.

De carona na lancha de meu amigo Teng Li, cuja lancha tem
o estranho nome de "amnésia". A lancha é altamente confortável
até para fotografar com a lancha em movimento.


Salvador visto do mar é sempre deslumbrante. A arquitetura, as cores, tudo conspira a favor de uma paisagem sem igual.

E lá vamos nós em busca dos navegantes que participavam da regata. Deixando Salvador no horizonte. 
De repente...

Ao longe, surgiam os primeiros saveiros, embarcação típica da Bahia, com suas velas características.

Ainda podia-se ver Salvador e alguns navios petroleiros no horizonte.
Os Saveiros, que no passado eram mais de 1.200 e hoje em dia não passam de 180, tendendo a diminuir. A manutenção é razoalvemente cara e os antigos proprietários não têm recursos.
Alguns estão sendo comprados até por turistas estrangeiros.

Os Saveiros são imponentes. Deslizam na mansidão da Bahia de Todos os Santos, com suas velas brancas ou manchadas de anil. A categoria "Saveiros" é sempre a que oferece a maior beleza plástica.



Existem dezenas de
publicações sobre saveiros.
Eles enfeitam escritórios,
corredores e salas. Desde uma simples foto
a pinturas a óleo sofisticadas.



 Mas a regata não era apenas de saveiros. Logo após a largada o mar encheu-se de velas de todas as forma. Centenas delas.



Uma tempestade ameaçava chegar. O céu escureceu e as velas ficaram ainda mais brancas.

E lá vão eles em direção a Maragojipe. O ceu estava preto, mas nada de chuva.




Na regata o maior trabalho é do barco e das velas.
A tripulação trabalha um pouco, é claro, mas rola sempre uma cervejinha ou um whisky maneiro.









Dois pescadores, indiferentes a regata, buscavam seu sustento nas águas
da baia.


O ceu ajudava a polarizar as fotos e o reflexo da vela azul, fazia ainda mais bonita a imagem.

Eu falei azul? Pois é, o verde também queria aparecer e derramou-se nas mansas águas de Iemanjá.

Muitos nem disputavam a regata. Apenas divertiam-se em suas lanchas, iates ou catamarans O dia era de festa e a grande festa era em Maragojipe.




Chegamos ao final da viagem.  Um dia de muita curtição, alegria e festa.



Finalmente Maragojipe, uma cidade perdida no tempo e muito hospitaleira.



E eu, enquanto esperava um milho assado, imaginava meu próximo blog que será sobre a cidade de
Maragojipe.


Obrigado pela visita e voltem sempre.

mecenas salles
salvador, agosto de 2011

P.S. Clicando nas imagens pode ver em tamanho grande. Seus comentários são bemvindos.


11.8.11

99 ANOS DO ESCRITOR JORGE AMADO


Se o meu querido amigo Jorge Amado estivesse ainda entre nós, estaria completando 99 anos de vida. Além do carinho e amisade com que brindava seus amigos, onde quer que estivessem, Jorge e Zelia eram pessoas de um carisma e de uma simplicidade fora do comum. A saudade que nos deixaram, quando partiram para a longa viagem, apenas é diminuida pelas homenagens sempre presentes na Bahia, no Brasil e no mundo.

Esta foto, tirada há muito tempo, mostra o casarão azul onde anos mais tarde foi intalada a Fundação Casa de Jorge Amado, bem no coração do Pelourinho, local tão divulgado em seus romances. Foi lá, no dia 10 de Agosto deste ano, que houve uma homenagem a Jorge visando a abertura do ano do centenário em 2012.

De todas as inúmeras portas da Fundação, a magnífica vista do Pelourinho, a igreja de N. Senhora dos Pretos, o Convento do Carmo e o casario os senhores viam os negros serem castigados em praça pública, o que deu o nome ao local.

Como não podia deixar de ser, as homenagens começaram com a oferenda a Exú, Orixá do bem e do mal, que abre os caminhos quando reverenciado com farofa amarela, galinha, charutos e pinga, por um Pai de Santo representando os terreiros que Jorge foi Obá e protetor.


Myrian Fraga amiga de longa data de Jorge e Zelia
é Diretora Geral da Fundação


Arthur Sampaio, filho de um grande amigo de Jorge,
Mirabeau Sampaio, é o Presidente da Fundação.



Jorge foi um homem do povo, escrevia para o povo e mostrava as mazelas da Bahia de uma forma cativante e ao mesmo tempo realistica.  Seus personagens eram pessoas simples em lugares simples. Barqueiros, boêmios, prostitutas, malandros, coronéis, capitães de areia, todos eram pincelados tão fortes em suas palavras que nossa imaginação mergulhava nas paginas dos livros e viviamos com seus personagens cada aventura alí narrada. Personagens que ainda vemos nas ruas, como as que se seguem, todas fotografadas da janela da Fundação....

Uma vendedora de colares e bagulhos

Um homem que após a bebedeira desfila de cuecas pela rua.


Outra vendedora, tipo comum no Pelourinho.
Gente do povo, parte do folklore da Bahia

Após a homenagem a Exú, os tambores fizeram uma homenagem a Oxossi, o Orixá protetor de Jorge, e a baiana que tudo assistia, não resistiu ao toque e para a alegria de centenas de turistas, dançou na praça.





Mais tarde, a baiana gentilmente posou na entrada, em frente a placa de boas vindas escrita por Jorge.

O Pelourinho visto através de uma das grades da porta de entrada lateral.

Para encerrar este blog, presto minha homenagem ao amigo Jorge Amado, com algumas fotos de uma Bahia que já desapareceu, porém ficou eternizada em suas palavras e em nossas mentes.

Alagados


Candomblé



Pelourinho antes da reforma

 
Lavadeiras na lagoa do Abaeté.

Òké Aro!!! Arolé! Oxóssi!
Aonde você está, junto com seus amigos baianos Caribé, Mirabeau, Calazans e tantos outros, deve estar curtindo essas homenagens.

mecenas salles

Agosto 2011